Por que o Finamus não se conecta ao seu banco
Um aplicativo financeiro conectado ao banco vê tudo. E isso não é exagero: cada transação do período escolhido vai parar nos servidores dele. Para quem você transfere dinheiro, de quem aluga o apartamento, o que o seu parceiro paga, que medicamentos compra na farmácia, em qual clínica se trata, onde almoça todo dia útil, aonde vai numa sexta à noite. Isso não é um efeito colateral, é a essência da conexão: para montar uma análise e categorizar gastos automaticamente, o aplicativo precisa enxergar tudo.
A maioria das pessoas não pensa nisso. Na propaganda e nas resenhas se fala em conveniência: conecte o banco, esqueça a digitação manual, tudo é calculado sozinho. Quase ninguém chega até os termos de uso.
O preço dessa comodidade é que a sua vida financeira termina nos servidores de um terceiro — o serviço que você decidiu usar e, muitas vezes, um agregador intermediário pelo qual esse serviço se conecta aos bancos. A sua imagem financeira ganha pelo menos mais um dono, além de você e do banco. O que vai acontecer depois depende da honestidade e da estabilidade de cada elo dessa cadeia. O serviço pode ser comprado, mudar de política, entregar dados sob pedido, vazar depois de um ataque. São cenários comuns nos quais, como usuário, ninguém pergunta a sua opinião.
Dados financeiros são uma classe à parte. Um extrato bancário de seis meses revela muito mais do que parece à primeira vista. A composição da família e o tipo de relações — pelas transferências entre pessoas. O estado de saúde — pelas farmácias e clínicas. As convicções religiosas e políticas — pelas doações e assinaturas. Hábitos, hobbies, a relação com o álcool, viagens ao exterior, local de trabalho e local real de moradia — tudo isso se lê em um extrato comum sem grande esforço. Não por algoritmo, não por análise — simplesmente por uma pessoa que tiver acesso a ele, mesmo que por dez minutos.
Por isso projetamos o Finamus para receber só aquilo que você mesmo decide colocar lá. Não nos conectamos via API bancária, não usamos agregadores, não pedimos extratos ao banco de forma automática. Os dados financeiros entram no sistema só quando você mesmo os coloca lá — à mão ou importando um extrato que você baixou do seu banco e subiu. Depois que lemos as operações, o arquivo é apagado. Claro que aquilo que você inseriu fica guardado do nosso lado — mas além disso não recebemos nem pedimos mais nada. E não passamos esses dados a ninguém — nem a terceiros, nem a redes de publicidade.
Quando você mesmo registra uma transação, você decide o que ela foi e a coloca na sua própria categoria. Com o tempo, essa atenção muda a relação com o dinheiro: gastos automáticos vão, aos poucos, se tornando conscientes — não por causa de escalas de culpa ou notificações push com que outros aplicativos pressionam seus usuários, mas como consequência da própria abordagem. Orçamentos e metas também existem no Finamus, mas eles mostram o panorama em vez de cobrar você.
Esse desenho também tem algumas vantagens práticas além da privacidade. O Finamus funciona com qualquer banco e em qualquer país — e também com dinheiro vivo, cartões-presente, transferências entre conhecidos, moeda estrangeira fora do país e tudo aquilo para o qual o rastreamento automático normalmente não encontra categoria. Se amanhã o seu banco mudar a API, desligar a integração, ou se você se mudar para outro país e abrir contas novas — no funcionamento do Finamus isso não aparece: não temos infraestrutura externa que possa quebrar. As categorias são construídas do jeito que você entende — e a análise parte daí, não das tentativas de um algoritmo de adivinhar o sentido de uma linha do extrato bancário.
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